Medalhas

A Falerística portuguesa, embora ainda pouco conhecida, é de uma riqueza assinalável e merecedora de estudos criteriosos.

A diversidade de fins a que se destinam as várias medalhas, directamente relacionada com a assinalável riqueza histórica de Portugal, a simbologia e motivos artísticos usados nestes 200 anos de existência – nesta sua era moderna e que é o nosso principal objecto de estudo – tornam muito atraente o coleccionismo de medalhas.

Nem sempre é fácil a classificação de todos estes espécimes medalhísticos, criados com o intuito de serem usados, de forma visível, pelos agraciados.

Em 1916, o coleccionador e investigador de Medalhística Artur Lamas, reconhecia no preâmbulo do seu I Volume (Parte I, Medalhas Comemorativas) da sua obras “Medalhas Portuguesas e estrangeiras referentes a Portugal”, que infelizmente foi o único volume publicado, a dificuldade da sua classificação.

Assim, o erudito investigador classifica as medalhas em geral em 4 grandes grupos. Para mais fácil percepção da complexidade da classificação, recordamos a classificação dos 4 citados grupos projectados por Artur Lamas, até agora, acreditamos, a única tentativa de o fazer.

A. – Comemorativas de factos, de personagens a quem foram dedicadas, de monumentos, etc.

B. – Galardão ou Recompensa;

a) por serviços humanitários;

b) por serviços patrióticos, como exemplo, as que se conferiram tanto a indivíduos da classe militar como da civil, por motivo de certas e determinadas campanhas, as exclusivamente militares, etc.;

c) por serviços políticos;

d) por serviços ou actos de carácter cientifico, artístico, literário e industrial;

1) Diversas;

2) de exposições;

3) privativas das Escolas

e) por diversos serviços

f) relativas a exercícios desportivos

C. – Medalhas-Insígnias

a) das Ordens: Religiosas, militares e civis;

b) de Corporações, ou agrupamentos de carácter religioso;

c) de Corporações humanitárias;

d) de Corporações de carácter patriótico;

e) de Partidos políticos;

f) de Corporações de carácter cientifico, literário, artístico e de congressos;

g) de Corporações de classe;

h) de Corporações várias.

D. – Religiosas ou culturais, vulgarmente denominadas Verónicas ou Veneras

De acordo com o insigne autor, é no Grupo B – (Medalhas de Galardão ou Recompensa) e no Grupo C – (Medalhas-Insígnias) que seriam incluídas as condecorações, e citamo-lo: “Nesta classificação as Condecorações – ou medalhas destinadas a serem usadas ostensivamente por certas e determinadas pessoas, em virtude de leis especiais – não constituem uma classe à parte; ficam dispersas por entre as medalhas de galardão e as insígnias.”

Este não é um assunto pacifico e ainda não será neste espaço, ou pelo menos agora, que tentaremos propor nova classificação, já que esta, então grafada, não nos parecer ser a mais ajustada ao nossos dias.

Para apresentação deste tema neste nosso Portal, resolvemos dividir, numa primeira fase, as medalhas portuguesas em 4 grandes grupos, que, no entanto, são mistos nos seus próprios conteúdos e que poderá parecer denotar alguma falta de rigor.

Uma forma “fácil” de classificar as medalhas seria as compartimentar em balizas de tempo, facilmente identificáveis com acontecimentos históricos de Portugal. No entanto, depois, perdia-se a própria continuidade histórica do simbolismo dessas medalhas. Na verdade, até em períodos de radicais alterações de regime político em Portugal, como aconteceu após alguns conflitos (guerras civis) e com a própria implantação da República (1910), as medalhas anteriormente concedidas não desapareceram, havendo só adaptações ao seu uso e ajustes ideológicos na sua concessão. Não obstante alguma discussão politico-ideológica havida em vários desses momentos, acabou sempre por imperar o reconhecimento de que as condecorações, enquanto sinais visíveis de reconhecimento do Estado, eram superiores e transversais a esses acontecimentos e como tal, importantes para a própria nova sociedade.

Não iremos aprofundar nenhum desses temas mas somente apresentar, genericamente, algumas imagens dessas mesmas medalhas. É propósito da AFP e dos seus associados ir publicando artigos no seu Boletim “PRO PHALERAE” e em outras publicações, mesmo online, em que o assunto irá ser aprofundado.

Paulo Jorge Estrela